terça-feira, 27 de janeiro de 2009

leituras RETRATO DO ARTISTA QUANDO JOVEM QUARENTÃO

Jaguar escreve sobre seu trabalho no
prefácio de seu livro lançado pela Desiderata




"(...) Sei que ninguém é perfeito, mas eu exagero. Dizem que meus personagens são grotescos. Isso me surpreende, pois são menos grotescos do que eu. Faz tempo que desisti de transmitir com precisão, através do desenho, o que vejo na cara das pessoas que passam por mim nas ruas. E o que vejo me dá vontade de vomitar (gênese do Gastão, o vomitador). Ser humorista talvez signifique ver, com maior nitidez que as demais pessoas, o que há de precário na realidade.
Ao contrário de muitos humoristas, não detesto a humanidade. Creio que poderia ser pior. Tudo o que desejo é que as pessoas se comportem com mais compostura. Mas isso acontece poucas vezes, inclusive comigo. No entanto, não deveria me queixar. Se as pessoas se comportassem melhor, nós, humoristas, perderíamos o emprego e a razão de ser.
O progresso do espírito humano é inacreditavelmente lerdo, ou pensando melhor, nulo. Mas é fascinante como a vida continua. Nada, nenhuma religião, nenhuma política, nenhum governo, nenhuma revolução, nenhuma doutrina, contribuiu com algo para melhorar o espírito; o homem continua sendo o mesmo ser confuso e lamentável de sempre, mas a vida continua. Ninguém é perfeito, mas poderia ser pior. É isso o que eu penso. E é o que o meu trabalho pretende transmitir. (...)"

3 comentários:

Eduardo Simch disse...

Falô e dizeu!!
Simch

dididododudu disse...

Adoro esse jeito de falar.

Anônimo disse...

a definição do jaguar para a condição de humorista deveria ir p a viqui- pédia, de tao perfeita.
isso é o q difere um humorista de um bobalhão!!!!


santiago